Freud no caso Schreber realizou uma completa vivisecção da Paranóia. O Estudo foi publlicado nas "Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia” Schreber era juiz, presidente do Tribunal de Apelação na Alemanha. Essa indicação para presidir o Tribunal de Apelação foi logo após a sua primeira internação no hospício. Depois disto foi internados várias vezes. Não era paciente de Freud. O que ocorreu é que em 1903 Schreber, Daniel Paul Schreber (1842-1911), publicou um livro, As Memórias De Um Doente Dos Nervos. O objetivo dele com o livro era fornecer substrato para a ciência. Ele dizia que a sua doença, esquizofrenia paranóide, não lhe turvava a razão, Considerava sua mente tão clara como de qualquer pessoa. Freud leu o livro e publicou seu estudo sobre o caso.
A esquizofrenia paranóide é diferente das demais esquizofrenias. O paranóico mantém intactas suas faculdades cognitivas, apesar dos delírios. O delírio é uma alteração da percepção. A pessoa passa a admitir como verdade algo que não não tem base na lógica. Ele acredita, por exemplo, que está sendo perseguido por uma pessoa que por acaso cruze o seu caminho. E esses delírios tomam proporções suficientes para afetar o contato da pessoa com a realidade.
Na análise de Schreber, em seus formidáveis delírios religiosos, Freud encontrou como substrato psicodinâmico a homossexualidade reprimida. Ele reprimiu o desejo que surgia sob a forma de fantasias de amar uma pessoa do mesmo sexo. E Schreber era um homem de princípios rígidos, casado, um juiz, modelo na sociedade. Essas fantasias eram uma mancha de lama que ele não suportava, reprimia para o inconsciente, e aquilo voltava á tona sob a forma de delírios religiosos, megalomania de pureza, etc...Para Freud passou a ser uma evidência científica que em paranóicos do sexo masculino é a homossexualidade reprimida a causa da doença...
Em Wellington Menezes de Oliveira, que armado com dois revólveres massacrou as crianças e adolescentes na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, há um caso clássico de esquizofrenia paranóica. No relato de seus ex-colegas, do seu tempo na escola, existe a menção de uma menina que tentou ficar com ele de forma ostensiva e a resposta dele foi uma reação histérica de repúdio. Já estava presente o desejo homossexual reprimido, por conseguinte rejeitando as meninas e reagindo com ódio as investidas. Não foi bullying como andam falando na mídia, colocando seus ex-colegas de sala de aula sob um sentimento de culpa. Aliás, os psiquiatras que foram entrevistados no PIG se preocuparam em evitar que se criminalizasse o doente mental por esse crime. Não obstante, esqueceram de fazer a mesma coisa com o morar sozinho, ter poucos amigos, ser introvertido e calado, que foram apontados com características da esquisitice, de doença mental, como sinais de perigo. Solidão não significa doença mental. Todos grandes homens e mulheres que passaram por esse planeta foram solitários. E é na solidão que os gênios colhem os melhores frutos...Não se deve criminalizar doença mental nem comportamentos.
Em sua Paranóia e vivendo sozinho, após a morte da mãe, o Wellington teve um agravamento da psicose e regressão psíquica. Na regressão da doença mental o paciente passa a vivenciar no presente fases mentais do seu desenvolvimento da infância. Um dos seus colegas disse com muita propriedade que o Welligton que subiu as escadas da escola era o de doze anos de idade, e acrescento que vingou-se com base em seu delírio da época. Ele escolheu as vitimas, atirou para matar nas meninas, a quem odiava em função da homossexualidade reprimida e apenas feriu os meninos. Das doze vítimas fatais, dez eram meninas e dos feridos, que estão internados, oito são meninos e duas meninas...
Nas análises do PIG está dito que ele premeditou. Contudo, na sua carta delirante de despedida, apenas o suicídio estava premeditado. Não mencionou qualquer ataque a outras pessoas. Também fazem confusão entre psicopata e psicótico. O psicopata não é um doente mental. O psicopata é a pessoa que não tem consciência moral, portanto não tem censura interna, é materialista e comete os crimes mais horríveis com planejamento cuidadoso e sempre para auferir benefícios. O psicopata é regulado por uma moral relativa. O psicopata mata o pai, a mãe, vai transar no motel com namorado(a) e no outro dia chora no enterro, sem nenhuma culpa. Já o psicótico não sabe o que faz.
A paranóia constitui exatamente um distúrbio no qual a etiologia sexual de maneira alguma é óbvia; longe disso, as características notavelmente relevantes na origem da paranóia, particularmente entre indivíduos do sexo masculino, são as humilhações e desconsiderações sociais. Mas, se nos aprofundarmos apenas um pouco mais no assunto, poderemos perceber que o fator realmente eficaz nessas afrontas sociais reside na parte que nelas desempenham os componentes homossexuais da vida emocional. Enquanto o indivíduo age normalmente e é, por conseguinte, impossível perscrutar as profundezas de sua vida psíquica, podemos duvidar que suas relações emocionais com o próximo na sociedade tenham algo a ver com a sexualidade, concretamente ou em sua gênese. Mas os delírios nunca deixam de revelar estas relações e de remontar os sentimentos sociais às suas raízes num desejo erótico positivamente sensual. Enquanto foi sadio, também o Dr. Schreber, cujos delírios culminaram por uma fantasia de desejo de natureza inequivocamente homossexuais, não havia, segundo afirmam todos, demonstrado quaisquer sinais de homossexualismo no sentido comum da palavra.

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