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domingo, 31 de julho de 2016

O Quinto Evangelho

O PECADO




A abordagem de INRI CRISTO sobre o pe­cado é, antes de mais nada, pertinente, apesar da simplicidade. O ensinamento não é uma constru­ção intelectual dele, vem do Pai, como repete sempre. A racionalidade é ta­manha que não necessita de uma lista, um índex de violações da ética religiosa. Afinal o drama dos seres humanos diante do pecado é constrangedor. A definição de INRI em uma máxima resolve tudo: Tudo o que fizeres que faz mal para ti ou para outros é pecado; tudo que fizeres que não faz mal a ti nem aos outros não é pecado.

Acima disto tudo existe a ética divina, a ética religi­osa é uma convenção humana. Não ir à missa no domingo é pecado? Obviamente que não. Fumar é pecado? Sim, faz mal para a saúde. Comer em excesso também, beber, idem, fazer um ménage é pecado? Não, se todos estivem livres, em mútuo consentimento e responsáveis. O pecado se torna consciente quando a pessoa se sente mal com o que fez. Um psicopata, que jamais tem sentimento de culpa, peca quando fere o outro, fere a ética di­vina. Os dez man­damentos são uma expressão da ética divina.

A humanidade é trespassada pelo senti­mento de culpa. Nasce­mos sob o pecado original. Fizemos em tem­pos idos sacrifícios de animais para purgar os pecados, confis­sões a um padre, penitências, promessas de renún­cias, etc. Os evan­gélicos já são crucificados em vida na sua lista de transgressões. Na dúvida buscam o seu pastor en­gravatado.

Por ignorância, o sentimento de culpa toma conta do ser humano e ele projeta no cosmo o seu pecado e recebe de volta o próprio julgamento. Cur­vado sob a condenação do seu credo religioso, vive a sua infeliz vida no tumulto diário. Mais um neurótico a remoer a dor de viver, em um mundo governado por felizes psicopatas.

O ser humano aporta neste mundo sem saber de onde veio e nem para onde vai. O tempo passa sobre ele como um silencioso rolo compressor e o ser humano envelhece sem saber quem é, de onde veio, para onde vai. Sua vida, sua história, seus pertences se desmancham no ar e ao morrer se perde no fundo da terra. Logo vai ser esquecido. Esse é o pecador... É um pecador?

Um pouco acima dos animais, o ser humano racio­nal encontra em si próprio a premência de de­sejos muitas vezes irracionais. O sexo irrompe em cada célula sua como uma brasa ardente. O prazer o faz feliz, mas não preenche, nem sacia por longo tempo. A satisfação do prazer gera mais necessi­dade de prazer. É a vida da carne com seus gozos e liberdades, suas dores e seus pecados.

Este é um mundo carnal e aqui estamos porque so­mos espíritos carnais, mas todos temos o potencial de as­cender a mundos superiores. Por esta razão Jesus disse que venceu o mundo e INRI CRISTO repete o desafio há quase quarenta anos. Jesus quando se chamava Emanuel fez sexo, bebeu vinho, conheceu prostitutas e foi filho res­ponsável, trabalhador. INRI quando se chamava Álvaro, idem. Jesus resgatou na cruz qualquer débito que tivesse, INRI enfrenta a via crucis da crucificação moral.

O ser humano vive na escuridão, é guiado por ce­gos mal-intencionados e morre na mais com­pleta escuri­dão, portanto todos seus pecados estão perdoados por Deus e os débitos serão cobra­dos na lei do carma, a lei da causa e efeito, a lei do Talião, olho por olho dente por dente.

Não há castigo eterno. Todos débitos podem ser resgatados na lei do carma em um mundo probatório. É a justiça da lei divina. A eternidade é um atributo da perfei­ção e acessível aos perfeitos. O que o ser humano necessita é aprender a viver livre­mente dentro das leis de Deus, que são imutáveis, justas e eternas. Só Deus pode ser justo e bom ao mesmo tempo.

Livro O Fim da Crucifixação: O Quinto Evangelho de Neuton Lelis.
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